Resenha: Lisa gastou o PIB da Tailândia com o clipe, mas SaWaDiKa não tem molho
Tô atrasado e escrevendo isso trancado no quarto enquanto meu vizinho toca aquele pagodão alto de novo (didididiê...), decidi que hoje era dia de encarar a Lisa. SaWaDiKa chegou como prévia do EP novo dela, o Press Play, que sai dia 23 de outubro, sucessor direto do álbum solo de estreia, o Alter Ego, que trouxe Rockstar e Born Again. E olha, se tu já ouviu esses dois hits, sabe exatamente pra onde essa faixa vai: dinheiro, poder, e o mundo inteiro invejando a Lisa. É tipo funk ostentação só que com passaporte internacional, muda o Cristo Redentor de fundo pelas ruas de Bangkok e o resto é a mesma letra de sempre.
E até que faz sentido a escolha de cenário, porque essa é a música mais tailandesa que a Lisa já lançou, com direção de Bang Jae-yeob rodando em locação de verdade na cidade natal dela. O clipe bombou igual bomba de parque aquático mesmo, virou o vídeo mais rápido do ano a bater 100 milhões de visualizações. Só que o problema é sempre o mesmo: o beat até empurra, o rap dela tem técnica, mas o refrão escorrega da cabeça que nem sabonete molhado. Não fica, não gruda, não fica te martelando no ouvido depois. É competente, é vitrine, mas não é o hino nacional que tava prometendo ser.
E tem ainda uma camada que ninguém tá comentando. Lisa tá tentando ser duas coisas ao mesmo tempo e as duas brigam. De um lado ela é a embaixadora da Tailândia, orgulho nacional, dança tradicional no clipe, cenário de Bangkok pra mostrar raiz. Do outro lado ela é a pop star global que canta em inglês sobre ser rica e famosa, porque é isso que o mercado ocidental quer ouvir. E essas duas Lisas não se encaixam direito na mesma música, uma fica puxando a roupa da outra. O resultado é uma faixa que tem o visual da Tailândia, mas com uma pegada gringa, daí fica essa balança desregulada não sabe direito pra qual lado pender. Não é ruim, é só indeciso. E indecisão em comeback solo é caro, porque é o momento que a pessoa deve saber quem ela é sem as outras três segurando a corda.
Bônus de contexto pra quem tá boiando: essa faixa saiu bem no meio da queda de braço solo do Blackpink, com a Jisoo lançando Click e a Jennie anunciando o Fallen Angel quase na mesma semana. Então rola aquele clima de festa de Cosme e Damião ali, três integrantes soltando pipoca e bala ao mesmo tempo e o fandom se estraçalhando pra ver se consegue salvar algum doce antes que acabe tudo.
Mas é isso, a festa tava animada só que parece que ninguém contou quantas pessoas vinham. Agora tem um monte de mãe com pote e bacia na mão esperando fazer a fila do bolo que nunca vai chegar, porque a prefeitura esqueceu de trocar o cartaz. E o resultado é que ninguém sai satisfeito e vai pra internet falar de números pra não ter que falar que o som não rendeu. Foda.

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