Bastidores: a geografia é a única coisa que impede fã internacional de virar sasaeng

 


Eu tinha salvo um post no Reddit sobre sasaengs porque achei o relato bem pesado e acho importante falar sobre isso, então vou dar uma resumida aqui. A mina é uma i-fan americana que tava morando na Europa, veio morar por aqui na América do Sul em 2018, depois foi pros EUA em 2019, mas a pandemia mandou ela de volta pra América do Sul depois de 11 meses, era stan do BTS e depois virou multi, até que em 2023 se mudou pra Pequim. E de Pequim pra Seul é só duas horinhas, e daí que o bagulho explode.

 Ela vivia a vida de fã internacional normal: showzinho de vez em quando, Weverse, distância saudável. Chegou na China, usou VPN, tentou comprar ingresso do Enhypen, mas tomou bloqueio. Acabou indo pro show em Tóquio e lá encontrou uma c-fan (YingYing) equipada pra guerra: binóculo, dois celulares, powerbank, freebie. Depois começou a voar pra Seul todo mês e via as meninas no aeroporto com câmera profissional, sem mala, só pra ver o idol passar e voltar pro avião no mesmo dia. Ela disse que isso mudou a química do cérebro dela.

Aí finalmente entrou no Weibo, Douyin e Xiaohongshu. Viu fansign de polaroid com Jungwon por 15 mil dólares e fechou a aba na hora, mas ficou viciada e começou a ir em todo show possível na Ásia. Saca a lista de grupos que ela viu: BoyNextDoor, TWS, IVE, Aespa, Stray Kids, Close Your Eyes, AHOF, MEOVV, NMIXX, NCT Wish, NEXZ, Hearts2Hearts, KiiiKiii, ZEROBASEONE, The Boyz, Ha Sungwoon, Cravity. Isso é praticamente o Rock in Rio do k-pop, irmão. O acesso das redes sociais chinesas te coloca na área VIP sem passar sufoco com VPN.

No encore do Enhypen em Seul ganhou raffle + soundcheck, ficou na terceira fileira, mas tava por fora de como era a organização de filas por lá, tomou bronca de outra fã e foi pro lugar do número do ticket que tinham dado pra ela. Lá dentro se incomodou muito com uma c-fan atrás empurrando e gritando "Jungwonnieee" com voz de bebê, daí saiu de lá traumatizada.

Então mandou mensagem pra YingYing perguntando qual era o esquema das c-fans pra estarem em tudo. Daí essa mina adicionou ela num grupo de WeChat de 300 pessoas do c-bar do Jay. Hierarquia, líderes, arrecadação de dinheiro pra comprar informação de voo, hotel, rota de carro, tem tudo lá. É basicamente torcida organizada de time grande, só que em vez de banner de cinquenta metros o troféu é meta de álbum, e em vez de caravana pra fora tem gente fazendo vaquinha pra bancar quem vai acampar. E mandaram até uma líder "acampar" em Seul pra ficar espiando dormitório e aeroporto. Tem compra de álbum em massa pra aumentar chance de fansign, conta de Weverse virando conta laranja pra pedido coletivo. Rola também transferência de ingresso naquela plataforma de ingresso NOL com software cinza. Tudo industrial, com meta de 50 mil álbuns só pro c-bar do Jay.

Ela ficou de mosca, conversou com uma que falava inglês (Xiaofei) e descobriu a mentalidade: pra essa galera o idol não é pessoa, é um recurso. Jay era sistema, placar ou só um NPC mesmo. Ter empatia atrapalha a eficiência desse mecanismo. No final ela foi expulsa porque não falava nada no chat, só ficava rolando a tela e lendo as conversas. Foi aí que ela decidiu largar de vez esse esquema. Depois voltou pro Reddit e TikTok e disse que pela primeira vez em meses não sabia que horas o Jay tinha chegado em casa.

O que me pegou mais foi ela dizer que "temos limites porque temos oceanos", e que a única coisa que impede fãs internacionais de virarem sasaengs é a geografia. E meu amigo, se tu já olhou o stan Twitter por pelo menos um dia tu vai concordar. O bagulho é real e pesado pra cacete, então esse relato fica aí de lembrete pra qualquer fã, porque pode levar pra uma parada que não é saudável pra ninguém.

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